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Pesquisa revela o desconhecimento sobre os riscos com agentes químicos em laboratórios

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Um artigo publicado pela Revista Nature abordou a questão de proteção e segurança e os níveis de riscos aos quais os pesquisadores são expostos ao trabalharem em laboratórios. Ele apresentava o resultado de um questionário aplicado aos profissionais para saber se conheciam os riscos e perigos de se trabalhar com agentes químicos. A matéria do dia 3 de janeiro de 2013 mostra que os cientistas não estão tão seguros como eles pensam. Na pesquisa, observa-se que 86% de 2.400 cientistas entrevistados se sentem seguros em seu ambiente se trabalho.

O pesquisador e coordenador do setor de Higiene e Trabalho da Fundacentro São Paulo, Walter Pedreira, conta que ficou surpreso com o resultado da pesquisa: “Esses profissionais altamente qualificados, apesar de serem cientistas, poucos sabiam ao que estavam expostos e, se sabiam, estavam negligenciando”. Ele ressalta ainda que muitas vezes o profissional tem a consciência do risco, mas muitas vezes os minimizava para manter outras prioridades ou não associava o risco a própria pessoa.

Foi a partir disso que Walter, químico e doutor em Química Analítica pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares da USP, passou a desenvolver uma pesquisa voltada para a segurança química em laboratórios.

A pesquisa foi levada para os principais laboratórios da região sudeste. “Imaginamos que o sudeste seja o melhor cenário, você tem aqui uma maior concentração de riqueza, as melhores universidades do país. E a partir desses cenários, tentar traçar todo um quadro operacional”, afirma Walter Pedreira.

Para o professor do Departamento de Farmacologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, Marcelo Nicolás Muscará, é importante ter aulas dentro das universidades que tratem da segurança dentro dos laboratórios químicos. Ele também comenta que se sentiu surpreso por perceber que muitas vezes eles não sabiam os riscos aos quais estavam expostos.

O interesse, que surgiu relacionado ao assunto, fez com que a Universidade de São Paulo – USP e a Universidade Federal Fluminense – UFF abrissem suas portas para as palestras.

Mário Reis Júnior, da Universidade Federal Fluminense, também dá ênfase a importância do projeto dentro das universidades. “A gente não tem prevenção absolutamente nenhuma em relação à segurança, até mesmo na formação dos profissionais. Os alunos de pós são formados sem esse tipo de formação”. Ele conta ainda que muitas vezes não sabem nem por onde começar a introduzir uma forma de maior prevenção dentro dos laboratórios e que é absolutamente importante para a instituição ter alguém que possa falar sobre o assunto.

O projeto ainda está no começo, os pesquisadores tem visitado laboratórios e realizado um “check list” para identificar os perigos e os riscos. Walter se atenta ainda a explicar a diferença entre os dois. “O perigo vai estar sempre lá, é o produto químico. E o risco? Ai a gente tem que colocar um componente chamado ‘exposição’”, explica.

O projeto tem como objetivo entender o que há de errado nos laboratórios, relacionados à segurança, para que dessa forma seja possível apontar as medidas que podem ser tomadas para a prevenção à exposição, principalmente ao agente químico. Walter conta que há o interesse em abranger o projeto para demais estados. “Nós temos Rio e São Paulo, mas pretendemos ir para Minas e Espírito Santo”.

Quando questionado sobre quais os princípios básicos para a segurança desses profissionais, ele destaca a acessibilidade dentro dos laboratórios, mas também fala sobre os conhecimentos dos perigos existentes dentro do local. “Conhecer o perigo, para evitar o risco. Conhecendo os perigos e os riscos você vai comandar o ambiente”. Ele frisa ainda a questão da educação para que esse conhecimento aconteça: “O princípio é a educação. Sem educação não somos nada”.

Fonte: Fundacentro

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