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Justiça do Trabalho promove simpósio sobre transtornos mentais

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O presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro Ives Gandra da Silva Martins Filho, abriu o I Simpósio Sobre Transtornos Mentais do Tribunal Superior do Trabalho, nesta segunda-feira (12). Ele ressaltou a  importância do evento ao dizer que, quando se fala em dano à saúde do trabalhador, pensa-se normalmente nos aspectos físicos do acidente de trabalho e se esquece daquilo que mais o impacta, “que é o dia a dia de um trabalho, quando é feito sob pressão e sob estresses”.

O Simpósio é promovido pelo TST e pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT), dentro Programa Trabalho Seguro. A palestra de abertura foi realizada pelo professor de psiquiatria, Antônio Geraldo da Silva, doutor em bioética e presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria. De acordo com ele, a saúde mental do trabalhador no país piora cada vez mais, afetando sua produtividade e sem nenhuma forma ou proposta real para tratar.  “Nós tínhamos que ter clínica específica para atender o trabalhador. Como vamos querer que essas pessoas, que estão afastadas do trabalho, voltem a trabalhar se elas não têm acesso ao tratamento”, alertou.

Geraldo da Silva disse ainda que, como a psiquiatria tem relação com todas as áreas médicas, piora muito o estado de saúde do profissional afastado por outra doença e que venha a ter um quadro psiquiátrico. O médico lamentou o fato de que, mesmo com 20 milhões de dependentes químicos do álcool no Brasil, haja campanhas publicitárias incentivando o consumo em vez de campanhas de combate.

Em 2015, o INSS concedeu mais de 63 mil benefícios para trabalhadores diagnosticados com algum tipo de transtorno mental. A depressão, com 27 mil casos, foi responsável pelo maior número, em segundo, com 16 mil, os transtornos causados por uso de múltiplas drogas, seguido pelo álcool, com mais de cinco mil casos, e depois a cocaína, que já chega a mais de dois mil casos.

Para o professor, as empresas devem se atentar para o comportamento dos seus funcionários. “É importante saber distinguir, por exemplo, se uma pessoa está desmotivada por algum problema pontual que ocorreu no trabalho ou se é uma característica constante dele”.  Ele acrescenta que muitas pessoas sofrem em silêncio, escondendo fobias, depressão, transtorno de ansiedade, sem procurar ajuda, por negligência ou por medo de serem tidas como loucas. “O estigma dos transtornos mentais é a mais importante barreira a ser superada na comunidade, por impedir o tratamento e a reabilitação adequada dos pacientes”, concluiu.

Fonte: TST

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