Empresas perdem bilhões de reais por não terem aplicativos acessíveis a PCDs

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Mais de 17 milhões de brasileiros com dois ou mais anos de idade têm algum tipo de deficiência – ou 8,4% da população nacional. Os números são da Pesquisa Nacional de Saúde, publicada em 2021 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além disso, mais de 40 milhões de brasileiros declaram ter algum grau de dificuldade em alguma habilidade, mostra o Censo 2010.

Diante desse cenário, torna-se essencial a atenção das empresas do país à acessibilidade na hora de desenvolver seus aplicativos móveis, tanto para que sejam inclusivas quanto para não correr o risco de perderem receitas.

Essa, porém, ainda não é a realidade dentro de muitas companhias. “A maior parte das empresas encara a acessibilidade apenas como regulação, uma obrigação legal. Se levarmos em consideração os dados do recorte feito no público PCD a partir de 2019, as empresas estão perdendo um mercado em potencial, estimado em R$ 80 bilhões por ano, quando deixam de desenvolver aplicativos acessíveis a esse público”, afirma Marcelo Mazzini, Head de Design da keeggo, parceira de empresas e startups na transformação digital das organizações.

Os aplicativos móveis desempenham um papel importante no cotidiano das pessoas e na relação das empresas com seus públicos. Por isso, ao desenvolver um app, é necessário levar em consideração que aproximadamente 1 em cada 4 usuários brasileiros pode não ter o mesmo grau de acessibilidade.

Do ponto de vista dos negócios, faz todo o sentido tentar alcançar esses milhões de usuários adicionais. Além disso, as instituições governamentais estão sendo mais rígidas com a aplicação das leis e regulamentos que exigem acesso igual para todos. É um caminho sem volta e isso é muito positivo para a sociedade”, diz Mazzini.

Jefté de Assumpção, pesquisador de UX (experiência do usuário) da keeggo, lembra que os conceitos básicos de acessibilidade se aplicam a todas as plataformas móveis. “A interface do usuário e as opções de design devem tornar o produto final acessível a todos. Os recursos para atender essa demanda são abundantes e evoluíram muito nos últimos anos. Com a acessibilidade em mente, é possível melhorar drasticamente a experiência do usuário, além de maximizar a receita das empresas que investem para atender esse público.”

O pesquisador aponta, contudo, que ainda há muito a ser feito para que a acessibilidade seja uma realidade mais concreta, quando se trata de tecnologia móvel.  “Como uma empresa de consultoria tecnológica, já conseguimos muitos avanços na transformação digital das organizações, mas ainda temos um longo caminho a percorrer”, diz.

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