Em favor da proteção dos trabalhadores brasileiros, a defesa da qualidade dos EPI’s no Brasil é o que move o SINDISEG

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No dia 28 de abril de 1969, uma explosão em uma mina no estado norte-americano da Virginia matou 78 mineiros. Em memória às vítimas de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, e como forma de alertar para a necessidade de evitar tragédias como essa, em 2003 a Organização Internacional do Trabalho (OIT) instituiu a data como o Dia Mundial da Segurança e Saúde no Trabalho.  Neste dia, são celebrados eventos no mundo todo para a conscientização dos trabalhadores e empregadores quanto aos riscos de acidentes. No Brasil, a data foi pela Lei nº 11.121 de 2005.

SindisegAinda que a data tenha passado, a batalha por garantir melhores condições laborais aos trabalhadores brasileiros é o que movimenta o Sindicato da Indústria de Material de Segurança – SINDISEG 365 dias por ano.

Viabilizada por iniciativa da entidade, em parceria com o Portal Cipa & Incêndio, fomos ouvir o seu presidente, Adriano Serino, que tem sido uma das vozes mais emblemáticas e estratégicas na articulação em defesa da qualidade dos EPI’s no Brasil. Reeleito em chapa única para mais um triênio – 2020 a 2023 – ele tem, com o apoio e trabalho incansável da diretoria, colocado o SINDISEG à frente de inúmeras articulações políticas para que o setor avance continuamente. 

1. O ‘Abril Verde” é um simbolismo para relembrar as vítimas de acidentes e homenagear os profissionais que se dedicam a reduzir o número de acidentes do trabalho. Mas essa luta também faz parte da agenda diária do SINDISEG. Como tudo começou? 

R: Para nós do SINDISEG é sempre o momento de nos solidarizarmos com todos os profissionais de Segurança e Saúde do Trabalho, que não medem esforços para melhorar as estatísticas envolvendo vítimas de acidentes laborais. Eles são de inegável importância.

Na verdade, essa batalha está no cerne da criação da entidade. A antiga e pioneira APEEIS, criada em 1970 e que reunia os fabricantes de EPI’s, transformou-se em Sindicato Patronal em 1976, passando a se chamar SINDISEG, criado pelo pioneiro Dr. Walter Daffre, advogado renomado, prevencionista, e demais empresários do setor.

Na época, a intenção dele não era criar cartórios. Era sim, por meio de gestões políticas nas mais variadas esferas de governo, adotar medidas que garantissem que os EPI’s fabricados no Brasil tivessem a qualidade e as características necessárias de proteção aos trabalhadores brasileiros. Uma vocação que até hoje trazemos DNA do SINDISEG.

Trazendo um pouco da nossa história para essa entrevista, vale lembrar que o Dr. Walter Daffre, junto com o Dr. Fernando Montenegro, jurista da área Trabalhista da FIESP, a FUNDACENTRO e especialistas do Extinto Ministério do Trabalho, elaboraram o Certificado de Aprovação – CA, bem como todas NR’s incluídas na Portaria 3214 de 1978. Também conseguiram a aprovação do Artigo 167 da CLT, devido à baixa qualidade dos EPI’s produzidos na época, sem padrões definidos, o que estava levando o Brasil a ter o terrível título de campeão mundial de acidentes do trabalho.

2. Dentro desse cenário de luta constante do SINDISEG, qual é a importância dos profissionais de SST?

R: Os números alarmantes de acidentes e doenças diretamente relacionadas ao ambiente de trabalho têm contribuído para conscientizar as empresas sobre a importância de investir na Segurança do Trabalho. E a atuação dos profissionais de SST dentro desse cenário é de inegável importância. Para se ter uma ideia, relatório recente divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que estas causas são responsáveis pela morte de cinco mil trabalhadores por dia no mundo.

Somadas à realidade de que a maioria da força trabalhista mundial não tem à disposição segurança preventiva, serviços médicos, ou até mesmo compensação para acidentes ou doenças, as estatísticas apontam para um só caminho – investir em segurança do trabalho. Só assim é possível garantir o conjunto de medidas capaz de minimizar os acidentes e as doenças ocupacionais, bem como proteger a integridade e a capacidade de trabalho do funcionário.

3. Os EPI’s, claro, são peça fundamental para nessa cruzada?

R: Para ficar de olho na segurança de toda a equipe, as empresa devem contar com um quadro de Segurança do Trabalho composto por um time multidisciplina com Técnico de Segurança do Trabalho, Engenheiro de Segurança do Trabalho, Médico do Trabalho e Enfermeiro do Trabalho, formando o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT). Mas a adoção de EPI’s adequados e de qualidade é preponderante para a prevenção de acidentes e doenças ocupacionais. E são os profissionais de SST que têm o conhecimento necessário para definir os equipamentos adequados para cada tipo de risco de acidente e de doenças.

4. Qual é o atual cenário hoje no Brasil no que tange a procedimentos para estimular a desburocratização e outras demandas que beneficiem as empresas do setor de EPI’s e, consequentemente, os trabalhadores?

R: Estamos acompanhando de perto os esforços do Governo Federal, através do Ministério da Economia – Secretaria Especial de Previdência e Trabalho, no sentido de desburocratizar os processos de validação da venda e comercialização de EPI’s – Equipamentos de Proteção Individuais. Isso vem se dando por meio de várias medidas, em fase de implantação, para tornar esses processos mais dinâmicos para as empresas do nosso mercado.

Nesse aspecto, entendemos que o mais importante para validação dos EPI’s a serem fabricados, comercializados e utilizados são os ensaios e laudos técnicos. São eles que dão a garantia de que os EPI’s testados e aprovados estão aptos a proteger o trabalhador, enquanto Certificados de Aprovação – CA’s devem conter o número dos respectivos laudos aprovados.

5. Como o senhor vê a evolução da indústria de EPI’s frente aos desafios trazidos pela chamada indústria 4.0?

R: Esse é um tema que merece toda a nossa atenção, pois precisamos estar sempre de olho no futuro. A Indústria 4.0 é a continuação da revolução industrial da nossa história. No século XVII, tivemos, na Inglaterra, a 1ª revolução, que introduziu máquinas nas fábricas, reduzindo o trabalho manual; entre 1870 e 1914, com a 2ª revolução, surgiu a produção em massa, criada por Henry Ford. A 3ª revolução, também chamada de revolução digital, surgiu entre 1950 e 1970. A partir daí, evoluímos muito em tecnologia de produção, que vemos até hoje na maioria de nossas fábricas.

Fato é que a chamada quarta revolução industrial, conceito criado na Alemanha, caminha de forma rápida e exige de todos nós agilidade de adaptação às tecnologias de automação e compartilhamento de dados, novos conceitos de produção, incluindo sistemas ciber-físicos (CPS – sigla em inglês), Internet das coisas (IoT), Internet das coisas para as indústrias (IIOT), computação em nuvem, computação cognitiva e inteligência artificial.

A adoção de novas tecnologias pode ser capaz de reduzir vertiginosamente o número de acidentes de trabalho, já que a automação pode evitar a exposição dos trabalhadores à situações de risco. Isso é bom, mas não significa que poderemos deixar de pensar em prevenção e proteção.

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