Mulheres tem atuação fundamental na Medicina do Trabalho

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Opinião é da médica do trabalho, Edenilza Campos de Assis e Mendes, que há 46 anos atua na área

Ex-diretora de Ética da APMT – Associação Paulista de Medicina do Trabalho, a médica Edenilza Campos de Assis e Mendes há quase cinco décadas atua na busca por soluções para melhorar as condições de trabalho do brasileiro. Do início, em 1975, um ano após se formar em Medicina, até hoje, ela viu o percentual de mulheres aumentar em comparação ao número de homens que atuam no segmento. E, o mais importante na sua visão, todas muito bem qualificadas e competentes, disputando espaço “em pé de igualdade”.

Nesses 46 anos de trabalho, Edenilza garante que nunca teve dificuldades em atuar. Mesmo tendo começado em um período em que a Medicina do Trabalho era um campo de trabalho masculino, sempre teve espaço de fala e foi ouvida. Mas hoje, na sua visão, a situação piorou. A médica entende que a imagem da profissão foi prejudicada. “Quando entrei a gente era mais ouvida pelos empresários. Os médicos do trabalho tinham mais interação com o chão de fábrica e atuava junto com o RH (Recursos Humanos) das empresas na busca por soluções para melhorar as condições de trabalho dos funcionários.”

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Presença Feminina

A Medicina do Trabalho pode ser definida como a especialidade médica que lida com as relações entre a saúde dos homens e mulheres trabalhadores e seu trabalho, visando não somente a prevenção das doenças e dos acidentes do trabalho, mas a promoção da saúde e da qualidade de vida, através de ações articuladas capazes de assegurar a saúde individual, nas dimensões física e mental, e de propiciar uma saudável inter-relação das pessoas e destas com seu ambiente social, particularmente, no trabalho. Por esse motivo, Edenilza entende que a visão feminina multifacetada é importante. “É uma característica feminina ver o todo para poder trabalhar a parte. Assim, a mulher consegue enxergar as prioridades individuais e buscar formas que atendam também a empresa como um todo”.

Com formação em Saúde Pública e tendo atuado nas periferias das cidades, Edenilza entende que os trabalhadores das linhas de produção representam um microcosmo dessas áreas mais pobres da população. “Por isso, ver o trabalhador e suas condições de trabalho como parte de um todo na sociedade é importante”, garante.

Futuro Preocupante

A médica analisa que o campo de atuação da Medicina do Trabalho é amplo e extrapola a prática tradicional da medicina. Para Edenilza, o profissional da área da saúde do trabalho atua especificamente visando “a promoção e a preservação da saúde do trabalhador”. “O médico do trabalho precisa avaliar e detectar condições adversas nos locais de trabalho, ou sua ausência e elaborar programas para promover mudanças”.

Por isso se mostra preocupada com o cenário nacional. “As revisões de Normas Regulamentadoras, as mudanças no mercado de trabalho, essas crises têm um impacto muito grande na saúde do trabalhador”, afirma.

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